Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

COBAIAS DE DEUS

Cazuza / Angela Rô Rô

Se você quer saber como eu me sinto
Vá a um laboratório ou um labirinto
Seja atropelado por esse trem da morte
Vá ver as cobaias de Deus
Andando na rua pedindo perdão
Vá a uma igreja qualquer
Pois lá se desfazem
em sermão
Me
sinto uma cobaia, um rato enorme
Nas mãos de Deus mulher
De um Deus de saia
Cagando e andando
Vou ver o ET
Ouvir um cantor de blues
Em outra encarnação
Nós, as cobaias de Deus
Nós somos cobaias de Deus
Nós somos as cobaias de Deus
Me tire dessa jaula, irmão, não sou macaco
Desse hospital maquiavélico
Meu pai e minha mãe, eu estou com medo
Porque eles vão deixar a sorte me levar
Você vai me ajudar, traga a garrafa
Estou desmilingüido, cara de boi lavado
Traga uma corda, irmão (irmão, acorda!)
Nós, as cobaias, vivemos muito sós
Por isso, Deus, tem pena, e nos põe na cadeia
E nos faz cantar, dentro de uma cadeia
E nos põe numa clínica, e nos faz voar
Nós, as cobaias de Deus
Nós somos cobaias de Deus
Nós somos as cobaias de Deus
Nós as cobaias...







Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

E GARCIA MARQUEZ, É CLARO

"Cem Anos de Solidão", seria a glória mais que perfeita.






POR QUE NÃO EU?...

Existem coisas que a gente gostaria de ter feito. Um determinado filme, uma certa música, algum texto literário em especial.

Sinto inveja, por exemplo, de Milos Forman, por "Hair". De Almodóvar, pelo conjunto da obra e, mais especificamente por "Matador" (1986) e "A Lei do Desejo" (1987). E de tantos outros diretores, por tantos outros filmes fantásticos.

Na música, são dois os meus maiores objetos de inveja: Chico Buarque e Caetano Veloso, dos quais assinaria com prazer quase todas as criações (talvez não assinasse "Baby Doll de Nylon").

De Chico, destaco "O Meu Amor" (daria tudo para ser autor desses versos: "O meu amor tem um jeito manso que é só seu/E que me deixa louca quando me beija a boca/A minha pele toda fica arrepiada/E me beija com calma e fundo/Até minh'alma se sentir beijada").

De Caetano, ressalto "Objeto Não Identificado" e "Trem das Cores" ("Os átomos todos dançam/Madruga/Reluz neblina/Crianças cor de romã/Entram no vagão/O oliva da nuvem chumbo/Ficando/Pra trás da manhã/E a seda azul do papel/Que envolve a maçã").

Nas artes plásticas, apesar da minha confessa ignorância, não ia ter quem me suportasse se eu fosse o autor, por exemplo, de "O Grito", de Edvard Munch, de todos os girassóis de Van Gogh (apenas um já estaria de bom tamanho), das bailarinas de Degas. Enfim...

Mas, é na literatura que localizo mais frequentemente textos que eu gostaria muito de ter escrito. "O Conto da Ilha Desconhecida", de Saramago. "O Auto da Compadecida", de Suassuna. "Viva o Povo Brasileiro" de João Ubaldo. "Dom Casmurro", de Machado de Assis. "Cleo e Daniel", de Roberto Freire. "A Hora da Estrela", de Lispector. "Mrs. Dalloway", de Virgínia Wolf. "Gabriela, Cravo e Canela", de Jorge Amado. "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto. "Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos", de Rubem Fonseca. "Grande Sertão: Veredas", de Guimarães Rosa. "O Nome da Rosa", de Umberto Eco. "Um Copo de Cólera", de Raduan Nassar. "O caderno rosa de Lori Lamby", de Hilda Hilst. "O Tempo e o Vento", de Erico Veríssimo. "O Encontro Marcado", de Fernando Sabino. "Memórias do Cárcere", de Graciliano Ramos. "Macunaíma", de Mario de Andrade. "Reinações de Narizinho", de Monteiro Lobato. "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carol. E mais, mais... muito mais. E tudo isso, sem falar mais especificamente na poesia.

E por que estou escrevendo sobre este assunto?

Acabei de reler, hoje, "Onde Andará Dulce Veiga?", de Caio Fernando Abreu, que é, também, um livro que gostaria de ter escrito. Quando nada, estes dois trechos que estão no post abaixo.






"ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA?"

"Ele exigiu:

- Então me beija.

Ficou me olhando sereno, sarnento, embalando a si mesmo dentro do robe com o dragão verde e vermelho. Talvez me reconhecesse, pensei em pânico. Além de qualquer memória ou desejo, ele continuava a olhar para o fundo dos meus olhos. Como alguém que vai morrer no próximo minuto pediria a um desconhecido, sangrando no asfalto, ele pedia. É preciso beijar meu próprio medo, pensei, para que ele se torne meu amigo. Entreaberta a boca dele cheirava mal, os lábios cobertos de partículas purulentas, os dentes podres. Uma cara de louco, uma cara de miséria, de maldição. Uma maldição passada de boca em boca, que eu poderia exorcizar agora, devolvendo um beijo que era ao mesmo tempo a retribuição daquele, e inteiramente outro. Sem compreender alguma coisa, eu começava a compreender alguma coisa vaga. Era preciso coragem para compreendê-la, muito mais que coragem para realizá-la, e coragem nenhuma porque, aceita, ela se fazia sozinha. Eu repeti, de outra forma, aquele vago conhecimento assim: é preciso ser capaz de amar meu nojo mais profundo para que ele me mostre o caminho onde eu serei inteiramente eu. Pensei então na GH de Clarice mastigando a barata, em Jesus Cristo beijando a ferida dos leprosos, pensei naquela espécie de beijo que não é deleite, mas reconciliação com a própria sombra. Piedade, reverso: empatia. Talvez eu também estivesse louco. Ele continuava esperando, a boca aberta. Eu passei a mão por seus ombros. Ele fechou os olhos quando aproximei mais o rosto. E eu também fechei os meus, para não ver meu espelho, quando finalmente aceitei curvar o corpo sobre a cama e beijar aquela boca imunda."

 

"Quando a rua ficou inteiramente silenciosa, saí caminhando pela chuva fria. Tinha ficado muito fina, quase nem se notava. Para ter certeza de que caía, seria preciso olhar para cima, lá onde a luza amarelada dos postes a tornava mais nítida, desenhada oblíqua contra o céu violeta de sujeira. Protegi o caderno sob a camisa. Para que a água não confundisse e dissolvesse ainda mais as palavras guardadas dentro dele, fazendo-as escorregar pela minha roupa branca encharcada de suor e de chuva, até os pés, depois as fundisse na lama das calçadas, na corrente suja fluindo pelas sarjetas, e as levasse diluídas em água barrenta, ilegíveis para sempre, para os bueiros escancarados, para os esgotos imundos, cheios de ratos e merda, para depois quem sabe conduzi-las aos rios poluídos e finalmente ao mar repleto de lixo onde terminam todas as palavras um dia escritas e depois perdidas, inúteis, jogadas fora.

Eu queria cuidar das palavras."

 

(Caio Fernando Abreu/"Onde Andará Dulce Veiga?")






Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

AH!... É, É?!... ENTÃO, TÁ...

Os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro, no Folha On Line:

Eduardo Paes - "Já experimentei maconha. Fumei, traguei e não gostei. Nunca mais usei", afirmou Paes, que se disse contra a descriminalização da droga. "Acho que maconha é um mal pra a sociedade. A droga está na raiz do problema desta cidade. A briga do traficante é pelo ponto de venda", assinalou.

Fernando Gabeira - que escreveu livros sobre a experiência com maconha, disse que não fuma mais por não considerar "razoável" exercer mandato no Legislativo e, ao mesmo tempo, "ter uma posição de desrespeitar a lei".

"Eu posso ter efeitos semelhantes ao relaxamento da droga através da meditação", disse. "Tem uma droga que eu uso muito hoje, que é H2O", brincou.

 

E antes: Os dois, porém, afirmaram que não experimentam mais a droga.

 

Ora, e é pra ficar experimentando?... Experimenta-se e, se aprovado, usa-se a gosto. Ou não é bem assim?

Ê mundo medíocre, cretino!

Fumei maconha, mas não fumo mais.

Netinho, o cantor baiano, diz que é bissexual, mas que gosta mais de mulher. Ronaldo foi para o motel com os travestis, mas diz que não os conheceu no sentido bíblico. Marta Suplicy insinua que Kassab é gay.

Ta bom!... A família brasileira, em uníssono, agradece e todos podem dormir em paz.

O que incomoda é somente o barulho do liquidificador batendo o abacate.






Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

IMPERDÍVEL

"Mulher luta nos tribunais pela guarda dos filhos da companheira"

 Está no blog de Pat, de Brasília:

 http://mulhernostrinta.blogspot.com/






Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

ADEUS, QUERIDA MAUDE

Tietei, explicitamente, poucas pessoas na vida. Nilda Spencer foi uma delas. A primeira vez que a encontrei fora dos palcos foi num elevador, há uma cara de anos atrás. Entrou e me cumprimentou, educadamente. Respondi emocionado e, ato contínuo, declarei-me seu fã e ela, envaidecida e gentil, agradeceu cortesmente.

Passados outros tantos anos, agora já em 2001, recebo a visita da minha musa, na Coelba, onde eu coordenava o programa de marketing cultural. Acompanhada pela produtora Virgínia Da Rin, buscavam patrocínio para o projeto que comemorava os 80 anos de Nilda: Ensina-me a Viver.

Objeto de desejo de toda atriz madura, o texto de Colin Higgins pareceu-me ter sido escrito especialmente para Nilda Spencer.

De imediato, e com grande entusiasmo, abracei o projeto. Um grande e belo texto, perfeito para uma grande e bela atriz no esplendor dos seus 80 anos.

E foi o sucesso que foi. Vários meses em cartaz em diversas salas, sempre com grande público.

Apoiada por um competente elenco (Narcival Rubens, Aicha Marques, Gideon Rosa, Lucas Valadares), La Spencer dava vida àquela que bem poderia ser a sua alma gêmea: a doce, surpreendente e cativante Maude.

Dirigida por José Possi Neto, a montagem recebeu o Prêmio Copene de Teatro (hoje, Prêmio Brasken) na categoria Melhor Espetáculo (concorreu ainda nas categorias Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante).

Em função da minha atividade profissional, assisti inúmeras vezes o espetáculo, sempre com renovada emoção, e costumava brincar com Nilda dizendo que, na falta de qualquer dos atores, eu poderia substituí-lo, uma vez que já conhecia o texto de cor.

Com Ensina-me a Viver pude conhecê-la melhor e, com isso, a minha admiração por ela aumentou mais ainda.

Tenho uma profunda admiração e um enorme respeito pelos atores baianos da "velha guarda", tais como Wilson Melo, Carlos Petrovich, Yumara Rodrigues, Mario Gusmão, Aidil Linhares, Nilda e tantos outros.

Na época em que fizeram a opção pelo teatro, vivíamos em uma província atrasada onde somente vagabundos e/ou loucos se lançavam nessa aventura de grande denodo e quase nenhum reconhecimento. Não havia, então, o brilho sedutor das novelas da Globo, e o cinema nacional (afora as chanchadas e pornochanchadas) não atraía o interesse do público.

Portanto, somente o amor, a paixão, a obsessão pela arte poderia levar alguém a optar pelo teatro.

São assim, esses vagabundos adoráveis, esses loucos divinos. Doces, visionários, desvairados, desmedidos, à frente dos seus tempos.

É assim, Nilda Spencer. Suave, etérea, envolvente... como Maude.

Para sempre.

 
"
Quando lembro dela, lembro de alegria. Acho que talvez tenha sido a artista mais baiana de todos os tempos, ela traduzia a alegria da Bahia Era uma excelente atriz e excelente companheira de trabalho... Ela era uma eterna festeira, a casa dela era uma festa, onde ela ia, onde chegava, era sempre uma festa..."
Fernando Guerreiro

Nilda é uma das iniciadoras do teatro baiano. Começou nos anos 40 com os amadores, se engajou na Escola de Teatro logo no início e tornou-se uma espécie de cúmplice cênico de Martins Gonçalves. Foi ela quem conseguiu levar as platéias chiques à Escola. Ela participou de todas as vertentes do teatro baiano e sempre foi muito querida, muito amada pelos colegas – o que é difícil – e pela platéia. Nilda entrou na minha vida num momento muito doloroso, quando convivíamos com a ditadura que asfixiava o pensamento. E Nilda era um sopro de liberdade no meio disso. Ela era 30 anos mais velha que nós e estava conosco, nas festas hippies da Boca do Rio. Ela era a única da sua geração e isso era lindo. Ela era muito jovem, sempre, e com certeza morreu assim. Ela viveu muito bem, viveu como quis, e isso é importante.
Aninha Franco

"É com tristeza e comoção que recebemos a notícia da morte da amiga e atriz Nilda Spencer. Mãe de todas as atrizes, inspiração de gerações de artistas...

O Teatro baiano é grato ao seu exemplo e a sua dedicação total aos palcos. A cena baiana é mais rica porque teve o privilégio de sua presença..."
Márcio Meirelles

O teatro brasileiro, particularmente o baiano, perde hoje uma de suas maiores atrizes. Uma mulher apaixonada pela cena, cheia de luz e alegria, e grata a Deus por lhe indicar o caminho do encantamento através do teatro. Queridíssima amiga e guia de tantos jovens artistas- eu sou exemplo disso - foi minha querida Nilda a porta-voz do convite para que eu substituísse Nara Leão no show Opinião, no Rio de Janeiro, em 1965. Ela estava tão feliz como se fosse um convite para ela mesma. Eu, até então, só a conhecia por seus trabalhos em cena. Vibrante, brilhante, generosíssima e muito, muito divertida, Deus certamente está querendo nos presentear com mais uma estrela no céu, pra clarear os escuros daqui.
Maria Bethânia

É uma perda grande para os artistas. Ela era uma pessoa cheia de vivacidade, um exemplo de companheirismo na cena e na vida. Um dos maiores privilégios que qualquer ator pôde ter foi contracenar com ela, por causa de sua generosidade, amabilidade e delicadeza. Ela se entregava por inteiro, e compartilhava. Nilda vai ficar na memória como uma das atrizes mais desbravadoras do teatro da Bahia. Ela chegou a fazer teatro dentro do ônibus, no percurso Canela-Praça da Sé

Gideon Rosa

 

(Depoimentos: A Tarde On Line)






Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

E P OR FALAR EM GENTILEZA...

Gentileza

(Marisa Monte)

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria
O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta

"...Cores da Bandeira Brasileira, idéias de paz anunciando.
Da Alma peregrina obreira, por todo o povo pregando.
Da Celestial boniteza, uma canção de amor pra cantar.
Gentileza gera gentileza, que ajuda o Mundo Melhorar.
...
Concebia mundo sustentável, de todo mundo usufruir.
Sem o Dominador detestável, de explorar e de excluir.
Da mais elevada beleza, todo exercício do verbo amar.
Gentileza gera gentileza, que ajuda o Mundo Melhorar."

Homenagem ao Profeta Gentileza, adorável José Datrino que marcou o Rio de Janeiro com seu Espírito do Cristianismo, de Amor ao Próximo e Boa Vontade. Esta vivo no carinho das pessoas e, em muitos painéis e inscrições, principalmente nas pilastras de concreto dos Viadutos perto da Rodoviária e possivelmente em fotos e desenhos com escritos preservados em todos lugares da Cidade.

Nasceu em 11-04-1917, Cafelândia, São Paulo e, lhe Influiu em 1961, o Acidente do Incêndio do Circo em Niterói, no Rio de Janeiro, considerada dos maiores do Mundo, que atingiu direto as crianças,. Foi no local pra consolar os parentes e plantou hortas e jardins e, a partir daí parte para sua missão de pregador das idéias de Jesus, se tornando o tão querido e popular, Profeta Gentileza.

Seus mais de 50 Painéis nas Pilastras dos Viadutos da Zona Portuária se tornaram um admirável Patrimônio Cultural, enriquecendo o Brasilil com sua Doçura e Humanidade.

Em 1992 durante a Eco 92 procurou mostrar aos Delegados Internacionais a sua visão do respeito com o Planeta e o Humano, que inclusive a terra não podia ser vendida pois representa a natureza e é para todos usufruírem.
Deu o seu recado numa linda passagem pela vida. É uma lembrança emocionante e ajuda a gente a não embrutecer e ao Mundo a ser Melhor.

http://www.overmundo.com.br/banco/profeta-gentileza






GENTILEZA

Tá lá, no blog de Pat (BSB) http://mulhernostrinta.blogspot.com/.
Copiei. Copiemos::
"Passei lá pelo Umas & Outras e aderi à campanha da Vanessa: ser gentil. Em tempos de tanta violência, grosseria, má educação, desrespeito no trânsito, na fila, na vida, bom mesmo é encontrar gente "com habilidade pra dizer mais sim do que não", gente "fina, elegante e sincera", gente gentil. Então está lançada a campanha de sermos gentis ao máximo em nosso cotidiano."






Domingo, 5 de Outubro de 2008

EU QUERO É HIIIILTON!!!

Se fosse assim, tudo zerado, sem circunstâncias específicas e fatos pregressos, se fosse uma eleição começada do zero, eu teria voltado em Hiiiiilton. Ta reboré, piripipi!

Votei em Pinheiro e, claro, estou contente com a derrota de ACM, o Neto. Mas, não há como não constatar o grau de caretice dos candidatos à prefeitura de Salvador. Candidatos totalmente desprovidos de carisma.

O tal do "menino" já nasceu velho, rançoso. Tanto é que a sua juventude, que poderia ser um trunfo de campanha, não foi convenientemente explorada. Somente depois de algum tempo é que os seus marqueteiros tiveram a infeliz idéia do slogan "deixe o menino...". Deixe o menino se ferrar, deixe o menino se lenhar, deixe o menino se...

Imbassahy, roda dura que só. Um administrador experiente, mas travado pela caretice, pela sisudez, pela falta de empatia. Isso sem falar que foi cria do carlismo.

João Mamão, o Forest Gump da Princesinha do Sertão, dispensa comentários.

Pinheiro, o candidato do PT, no qual votei e votarei novamente no segundo turno, é outro roda dura. Carisma zero.

Sobra quem?... Quem?... Hiiiilton! "Eu quero Hiiiilton 50, na capital da resistência...". Diferente do padrão 4X4 dos outros candidatos, cara de muito doido e jovem. Está preparado para governar Salvador?... E eu sei lá!... Pinheiro está?... Imbassahy está?... O "minino" está?...

O João a gente já viu e tá vendo. Será que Hiiiilton seria pior?... Aliás, será que alguém seria pior? Eu pensava que nenhum prefeito poderia ser pior do que aquele radialista Fernando José, o tal que dizia que "matava a cobra e mostrava o pau", lembram? Me enganei.

É por essas e outras que, se as coisas não fossem como são, eu iria de Hiiiiilton 50, na capital da malemolência.

A propósito, o segundo turno em Salvador será disputado por João Henrique Carneiro, candidato do PMDB e atual prefeito da cidade e Walter Pinheiro, candidato do PT. Hilton, o último colocado, é do PSOL.

Conforme o IBOPE, os 3 candidatos (Pinheiro, João e ACM, o Neto) tinham ontem, cada um, convenientes 29% das intenções de votos. ACM, que o IBOPE apontava nas pesquisas anteriores como o favorito, não chegou lá.






Sábado, 4 de Outubro de 2008

100% OU 0% É A MESMA COISA, NÉ?

Confesso-me um ignorante no âmbito da ciência estatística. Aliás, os números, inquestionavelmente, não são o meu forte.

Mas as pesquisas sempre me causaram certa desconfiança. Afinal, deturpá-las como conseqüência de sua má aplicação não deve ser muito raro, e manipulá-las intencionalmenle parece ser bem fácil.

Um famoso (talvez o mais) instituto de pesquisas brasileiro apresentou, no começo da semana (eu acho) resultado que sinalizava para a vantagem do candidato do DEM à prefeitura de Salvador, apesar de caracterizar um empate técnico com os candidatos do PT e PMDB. Esse instituto, bastante desacreditado por resultados totalmente diversos dos apresentados nas duas últimas eleições, apresenta, hoje, véspera das eleições,nos três candidatos (DEM, PT e PMDB) com idênticos 29% das intenções de voto. Interessante, não? Assim, não tem como errar. Ou tem?






CASA COMIGO E ROUPA LAVADA

Gosto de você

Sabia?...

Dos seus jeitos e trejeitos

Amo o seu peito

E adoro o seu nariz

Sou fã do seu texto

Seus argumentos e seus pretextos

Curto sua boca

Me dou com a sua temperatura

E finjo estar à sua altura

Gosto muito de você

Sabia?...

Do seu estilo

Das suas vestes

Da sensação de que sabes a que viestes

Me amarro no seu tom, na sua voz

E deliro quando estamos a sós

Excitam-me as suas fantasias

Viajo nas suas alegorias

Sonho estar à sua mercê

E quero casar com você

Gosto de você pacaralho

Sabia?...






Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

PAPO DE MULÉ

(PRAS MININA DO DIVINAS)

"Sabe qual é o meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia. Que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada. No entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio. E eu me limito a me surpreender com as circunstâncias da vida que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. Constrange-me existir nesse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita, sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. Nunca precisei aborrecer ninguém antes, então atuo por instinto, cansando-me facilmente. E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia. Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude."

                               FERNANDA (estilosa demais da conta) YOUNG em "Aritmética"






Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

VAMO COMBINAR

É mesmo assim a vida

Cheia rimas e versos

De anversos e combinações

Por isso, nem tudo o que rima combina

Quer ver?...

Pão com limão

(combina não)

Também, nem tudo o que combina rima

Quer prova?...

Queijo com goiabada

Mas tem ainda o que combina e rima

Coração e paixão

(olha que combinação!)

Viver é assim mesmo

É rimar aqui e logo ali não rimar não

Combinar agora, descombinar outra hora

E assim vai-se tocando o barco

Uma rima, porém, sempre me ocorre

E é mesmo recorrente essa rima:

Amor e dor!...

Rima!... não rima?...

Mas, cá pra nós, será que combina?

E eu e você?...

Ta bom, nem rima...

Mas também não chega a descombinar

 

 

("...então, fica combinado assim: eu gosto de você e você gosta de mim...")






BY KATIA BORGES

Quando for um velho, 
quero continuar selvagem,
que o branco dos cabelos
não me santifique, que o branco
dos olhos não me cegue
inteiramente. Quando for
um velho, como esses
que vejo hoje, com graça
e boa vontade, que saibam todos
o quanto continuo jovem
e rebelde. Quando for
um velho, espero que sobre
a voz, à mão, um revólver,
inda que erre, que lance a fúria
contra tudo que me inquiete,

enquanto eu não for.

Achei aqui ó, lugar de grandes achados: http://mmeka.wordpress.com/